Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Odeio, odeio e odeio

Tudo bem, existem milhares de assuntos para se fazer um post e é uma tremenda falta de imaginação repetir o tema. Mas gente, é sério. Eu NÃO SUPORTO acordar cedo.
Podem rir, podem dizer que eu sou folgada, eu não me importo. Até porque é mentira; não tem nada a ver com ser folgada ou preguiçosa. Eu já disse e reafirmo: eu gosto de trabalhar, gosto de ter coisas para fazer, gosto de cumprir as minhas obrigações. Mas puta que pariu, precisa começar logo de manhã?!
Eu sei que não fui a aluna mais estudiosa da faculdade, mas se tem algo que eu nunca vou me esquecer é do curso de Genética do Sono. Pessoas, está cientificamente comprovado que a necessidade de mais ou menos horas de sono é genética. Está lá, gravado nos seus genes desde antes de você nascer! Cada um já nasce predisposto a ser mais matutino ou noturno, não tem jeito.
Imagina levar um vida inteirinha contrariando a sua predisposição genética! Eu juro, não estou fazendo drama. Mesmo. Mas para mim é um verdadeiro tormento ter que acordar cedo. Eu mal sei o que estou fazendo! Saio da cama parecendo o Jack Sparrow, é assustador!
Eu posso tranquilamente trabalhar até tarde, fico no hospital sem problema algum sempre que necessário (sem problema algum não, afinal eu não ganho extra). Repito, meu problema não é trabalhar. Eu cumpro todas as minhas obrigações, mas seria pedir demais que fosse no meu ritmo? O horário comercial tem direito de interferir na minha predisposição genética? Eu sou obrigada a nadar contra meu Period 3 porque é de praxe entrar às 8h no serviço?
Não tem jeito. Eu odeio e nunca me acostumo a acordar cedo. Porque... bingo! Porque eu fui feita assim! (Viu, mãe, a culpa é mais sua do que minha). Porque eu estou contrariando a minha natureza há anos. Então, meus caros, não me peçam para ser simpática logo de manhã. Eu só estarei em pé por pura obrigação mesmo... já que o mundo não se importa com a alteração do meu ritmo circadiano, que pelo menos meus amigos possam fazê-lo!

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

C- E aí, com tudo isso, você vai ter um laboratório completo, o seu sonho realizado.
F- (Cara de ponto de interrogação)
C- Tudo o que você mais deseja.
F- (Cara de ponto de interrogação e sobrancelha direita erguida)
C- O quê?
F- (Cara de ponto de interrogação, sobrancelha direita erguida e meio sorriso amarelo)
C- Diga!
F- Bom... se me perguntassem qual é o meu maior sonho, eu provavelmente não diria que é um laboratório completo.
C- Ah, não? E o que é agora? O que você quer então? Fala!
F- ... A paz mundial...?

(C = chefe; F = funcionária)

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Pesquisa da semana

todo emo usa franja?
Nem vou comentar sobre o quanto é irritante ver a quantidade de pessoas que chegam aqui buscando informações sobre emos. Maldita hora em que resolvi escrever um inocente post sobre a minha franja - e olha que ela nem existe mais.
Gente, vamos esclarecer de vez: eu não entendo nada de emos. Nem sei o que eles ouvem, pra ser sincera. Reconheço alguns no metrô porque as calças são sempre justas, os tênis geralmente são All Star, normalmente eles são magrelos e, sim, usam franja.
Mas eu não sei se a franja é uma característica indispensável, sabe. Acho que não. Porque eu gosto de hard rock e não uso permanente nem mullets, gosto de glam rock mas não ando por São Paulo fantasiada de leopardo, gosto de heavy metal e não me visto só de preto, gosto de folk rock e não tenho influências hippies (tá, essa última não é 100% verdadeira).
Não sei responder essa pergunta. Mas já que tanto emo entra aqui, fica o meu apelo: me ensinem a passar delineador!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?

Post brutalmente inspirado em Loki - Arnaldo Baptista

Já pararam para pensar no quanto a loucura é libertadora?
A partir do instante em que se comprova a loucura, todos os atos são perdoáveis. Se você cometer um crime, alegar insanidade é meio caminho andado para ser compreendido. Veja o recém desencarnado Michael Jackson, o fantástico rei do pop. Os traumas da relação com o pai, a infância perdida, o alto preço da fama e mais outras justificativas conseguiram levar o suposto pedófilo do condenamento ao entendimento (por favor, não me entendam mal. Eu reconheço o valor e o incontestável talento do cara, mas nesse texto eu estou do lado negro força).
Embora a liberdade da loucura tenha sido retratada com olhar mais criterioso em outras obras, vamos tomar como exemplo o livro Veronika decide morrer (é, eu leio Paulo Coelho sim, bite me). A tal Veronika percebe rapidamente que, tida como louca, poderia fazer qualquer coisa. Qualquer coisa, repito. Porque ela era louca, não era? Então estava liberada para andar pelada, falar sozinha ou gritar todos os impaupérios que lhe passassem pela cabeça.
Lembram da Suzanna Kaysen, a Garota interrompida? Ela não me parecia louca. Borderline, talvez, mas me diga quem não é. Acredito que todos nos equilibramos na corda que separa a normalidade da loucura; o que varia é apenas o lado para onde você cai. Suzanna perdeu o equilíbrio e foi parar num hospício juntamente com anoréxicas, bulímicas, sociopatas e lésbicas. Epa. Sociopatas, ok. Anoréxicas e bulímicas no hospício, não no hospital? E as lésbicas, meu Deus? Você consegue imaginar pessoas assim sendo tratadas como malucas? Tomando choques? Não, porque estamos em 2009 e Suzanna foi internada em 1967. Nessa época o Paulo Coelho também foi internado. Porque fez pacto com o demônio, ou porque uma mosca pousou em sua sopa, ou porque teve uma bad trip de LSD. Não sei. Mas ele me parece bem normal atualmente. Não parece?
Então me diga, onde estão os limites da sanidade? A partir de qual ponto você passa a não ser normal? Talvez a partir do momento em que você cria coragem para expor as loucuras que pensa, não é? Imagine se pudessem ler seus pensamentos mais secretos. Você não seria, talvez, uma pessoa interrompida?
O período em que se vive também determina os padrões de normalidade? Porque hoje, felizmente, as lésbicas não estão confinadas. As anoréxicas e bulímicas são devidamente tratadas porque elas estão doentes, não são loucas.
E eu fiz todas essas divagações sem fundamento para chegarmos ao Arnaldo, que passou de louco a gênio. Nesse caso, eu voto em branco. Porque elevar o Arnaldo a categoria dos gênios me parece um paliativo para quem passou tantos anos sendo incompreendido e apontado como maluco por qualquer opinião divergente que expressasse. Não é por aí. Ele era bom, muito bom, e diferente do senso comum. Somou-se a isso uma boa quantidade de ácido e pronto, o lado obscuro (porém totalmente livre) da personalidade floreceu.
Mas quem foi o grande loki da história? O Arnaldo, que após cinco internaçãoes ficou de saco cheio e pulou pela janela para se livrar daquilo que o atormentava? O Sérgio, que abandonou o irmão em busca de sucesso e fama e levou uns vinte anos para tomar coragem e pedir desculpas? A Rita, que deu de ombros, foi viver a vida e um dia também se esborrachou e precisou reconstruir uma parte do rosto?
A louca sou eu, que fiz graduação em Biologia, tenho a escrita como paixão e faço mestrado pensando em aprender guitarra? Ou é a Cintia, que abandonou a faculdade, instrumentação cirúrgica e o trabalho na revista para virar cantora? Ou é a Samantha, que suprime os desejos de juventude porque precisa reeducar os próprios pais?
Ou é você, que leva uma vida aparentemente normal e não se permite questionamentos? Que prefere ligar o botão automático para não precisar rever sua própria história? Que não se permite escorregar nos vãos das escolhas?
Algum de nós é realmente normal?

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu


Se você for o único que encontrou a paz, me escreva contando seu segredo.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Pesquisa da semana

como usar jaleco?
Ah, finalmente uma que eu sei responder!
Vamos por partes, porque o procedimento é muito complexo. Tire o jaleco do plástico da embalagem. Desdobre e desabotoe. Abra-o. Coloque o braço direito dentro de uma das mangas, de modo que a parte aberta fique virada para frente. Coloque então o braço esquerdo na outra manga. Abotoe cuidadosamente, prestando atenção para não pular nenhuma casa (é permitido manter o último botão, embaixo, aberto). Arrume a gola.
Pronto! Semana que vem podemos ter uma excelente lição de como colocar as luvas.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Para a desconhecida T.

T., eu não sei como você está nesse momento. E você também não sabe. Seu nível de consciência é o mínimo possível, querida. Glasgow 3. Talvez a essa hora, depois de tantas desde que vi seu nome pela primeira vez, seus pais já tenham sido notificados sobre o que isso significa.
Você não sente dor. Está como num sono muito profundo, tão profundo que se tornou impossível acordá-la agora. E por isso eu sei que você está tranquila. Está tudo bem, T. Tudo vai ficar bem. Você está em paz, e um dia seus pais aprenderão.
Não foi culpa sua, eu sei. Eu vi naquela plaquinha colorida. Você estava trabalhando e se sentiu mal, é apenas isso. Não sei os motivos, eu nunca sei. Acredito que ninguém saberá. E embora a princípio a falta de motivos pareça ser o pior pesadelo, aos poucos a falta maior será de você.
Você que tem 20 anos. Que está sendo assistida num bom hospital. Você que, diferentemente de tantos pacientes que vi nesse hospital, tem um nome conhecido. Tem uma mãe que a conhece. Não foram colegas moradores de rua que negaram uso de substâncias; foi a sua mãe. Você tem um emprego, agora eu sei. Deve ter colegas e alguns amigos. Um namorado, talvez. Uma vida.
Em sua ficha estará escrito: causa desconhecida. Porque nós sempre desconhecemos as grandiosidades. Da mesma maneira que eu desconheço você, grandiosa garota. Grandiosa como todas as outras, detentora de tanta vida que, no entanto, não lhe pertence.
Há tantos mistérios que eu desisti de compreender, querida. E tantas verdades que eu desconheço. Tantas coisas que podem ser verdade ou mentira, independentemente dos meus julgamentos, porque as minhas opiniões não mudam os fatos.
A opinião do médico de nada valeu, T. A culpa não foi sua. Não há culpa. Apenas há.
E em meio a tantos casos iguais, em meio a tanta morte e vida que eu vejo todos os dias, o seu nome me tocou de alguma forma. Conheço os motivos de reviver minha própria angústia. Mas desconheço os mistérios que me fizeram olhar longamente seu nome no papel xerocado, seu sangue presente no tubo, suas substâncias que estiveram dentro do corpo que agora adormece tranquilo. Eu senti, e ainda sinto.
Querida T., eu não a conheço. Mas rezarei para que esteja bem agora.