15 de dezembro de 2009

À merda

Eu queria me libertar de muitos excessos que me atrapalham. E queria suprir muitas faltas. Queria desapegar ainda mais, simplificar as coisas, facilitar a vida.
Queria só vestir minha blusa verde de moletom com a calça jeans azul desbotada. Não precisar me preocupar se o cabelo está feio ou bonito, e pintá-lo da cor que eu tiver vontade, e mudar quando eu enjoar (eu enjoo muito).
Queria trabalhar no Fran's como garçonete e sentir cheiro de café o dia inteiro. Queria ser vendedora numa livraria (não dona, apenas vendedora). Queria ser backing vocal de uma banda qualquer, desconhecida e divertida, que toque em bares aos sábados.
Queria morar ao lado do Liverpool para tomar quantos chopps eu quiser. Ou ao lado do Little Darling, para beber V8 quando o dia merecer. Ou ao lado do Café Piu Piu, do Wild Horse, do Stones, e tomar cerveja, caipirinha, vodca. Mas não se assustem, é tudo sob controle.
Queria ler muitas revistas. Fazer pilhas de palavras cruzadas. Deixar os livros meio dormentes. Usar qualquer sabonete e não ter alergia. Passar perfumes alegres e pintar as unhas de rosa pink. Assistir Gilmore Girls de manhã até a hora de dormir.
Queria ter uma casa só com o essencial e mais um monte de bugigangas indispensáveis para mim. Mil caixas, almofadas, velas, luzinhas piscantes, cortinas de contas e todas essas coisas que ninguém gosta.
Queria não ter celular, que só serve pra deixar a gente nervosa quando a outra pessoa não atende. Queria nunca pensar se a calça está apertada ou se a blusa está larga. Queria tomar litros de café, comer nachos, Big Mac, Pringles e Doritos a semana inteira e me entupir de Coca Cola.
Queria rir alto sempre que dá vontade, atirar objetos contra a parede nas crises de raiva, chorar soluçando quando dói o peito, xingar com os piores palavrões quando a ocasião merecer.
Equilíbrio, tons pastéis, rabo de cavalo, água com gás, adoçante, à merda toda essa moda de ser comedido.

9 de dezembro de 2009

The best of

É a quarta vez que tento começar a escrever esse texto.
Tendo praticamente passado o primeiro terço de dezembro, acho que já posso escrever os posts de fim de ano. Acontece que eu nem sei por onde começar a escrever sobre 2009, então o nexo manda lembranças.
Em 2009 eu gastei muito dinheiro. Eu comprei roupas, sapatos, bolsas, maquiagem, bijuterias, livros, DVDs, tudo, e muito. Minhas faturas de cartão de crédito viraram fábulas. Troquei de celular, comprei um note, paguei meus dois álbuns de formatura e continuei juntando dinheiro para o meu carro, que seria comprado em outubro. E não pensem vocês que eu ganho muito bem, heim. Ocorre que em 2009 eu decidi que a minha prioridade era eu mesma, e que eu merecia tudo o que pudesse ter. Não foi egoísmo, não foi futilidade. Acho que foi uma medida compensatória.
Em 2009 eu saí muito. Fui a muitos bares. E a tantas baladas que decorei a programação de todas as casas de São Paulo que tocam rock. Eu conheci os repertórios de muitas bandas, tomei muitas bebidas diferentes e vi o sol nascer de dentro do carro, da calçada e da janela do apartamento.
Em 2009 eu percebi que meu trabalho não me faz feliz. E passei o ano inteiro tentando encontrar uma solução para a minha carreira, sempre cogitando seriamente a possibilidade de mudar de profissão. Eu me inscrevi em cursos que não chegaram a acontecer, procurei pós graduação em pelo menos cinco áreas diferentes, tive meu mestrado nas mãos e depois soltei.
Em 2009 eu fui muito, muito sozinha. Eu fiz tudo sozinha. Almocei, jantei, dirigi, me perdi, passeei, vi filmes, fui a feiras. Eu ri até as lágrimas escorrerem na saída do metrô. E chorei durante reuniões, com a mente muito longe de qualquer que fosse o assunto.
Em 2009 em cresci. Enfrentei meu chefe, mudei um esquema arcaico e contratei uma estagiária. Fui procurada por conhecidos que pediram ajuda, indicação ou só um conselho. Olhei para os meus pais de igual para igual. Acumulei contas no meu nome e paguei todas em dia. Aprendi a usar salto alto e a me portar como uma pessoa adulta.
Em 2009 eu vi alguns amigos poucas vezes, mas continuei cultivando carinho e respeito por eles. Eu entendi que as pessoas são como são, e que o melhor que eu posso fazer sobre isso é deixar para lá. Eu agi como achei que deveria, estive aonde poderia estar e não esperei que alguém fizesse algo por mim. E não me entristeci por isso.
Em 2009 eu tive alguns amigos bem perto. Nós fizemos grandes bagunças e tivemos sérias conversas para depois continuarmos seguindo em frente. Eu tentei mantê-los ao alcance das mãos para abraçá-los quando quisesse, mas apenas acenei para aqueles que mantiveram mais de um braço de distância. Eu aprendi, e já estava mais do que na hora.
Em 2009 eu parei de pensar sobre os segredos. Eu não aprendi nada sobre coincidências, magias, crenças e Deus, e resolvi arquivar esses assuntos. E eles não me atormentaram um dia sequer, mostrando que eu poderia viver muito bem sem entender nada.
Em 2009 o meu coração quase desapareceu de tanta tristeza e quase explodiu de tanta alegria.
Em 2009 eu provei cinco vestidos de noiva e escolhi um para vestir no ano que vem. E escolhi um sítio para fazer uma festa, e uma cor para decorar os salões, e casais para me apadrinhar, e amigas para fazerem um cortejo. Eu gastei muito tempo e muito dinheiro em coisas que, eu tinha certeza, não eram para mim.
Em 2009 eu separei a minha alma em duas partes. Uma delas guarda a pessoa que eu fui até o meio de 2008. É a alma da graça, do desconhecimento, da inocência, da juventude, das incertezas. E a outra é a alma que terminou de nascer nesse ano. É a alma do renascimento, da coragem, da força, da paciência. Elas se misturam o tempo todo.
Agora 2009 está terminando e eu não fico feliz nem triste por esse término. Eu entendo tanta coisa que só tenho olhos para 2010.

4 de dezembro de 2009

Pesquisa da Semana

"perdeu ele queridinha linda"

E algo me diz que "ele" não fez necessariamente uma boa troca...