15 de novembro de 2010

30 Days letter project: Day 29 — The person that you want tell everything to, but too afraid to

Medo, medo, não é bem a palavra certa. Mas se para você eu não digo tudo o que penso, é porque não vejo como isso poderia melhorar alguma coisa. Eu acho que poderia melhorar se você mudasse, se aprendesse a se relacionar com as pessoas (e é aí que eu me incluo) de outra maneira. E isso é impossível, porque quando a gente quer mudar, não precisa de empurrão: vai lá e faz.
Eu me pego muitas vezes pensando que as coisas poderiam ser diferentes entre nós, e já perdi a conta do quanto tentei entender a sua postura. Eu já questionei muito, houve um tempo em que eu fazia essas perguntas diretamente a você. Mas nunca concordei com os argumentos, então finalmente decidi, um dia, que por mais que eu me importasse, nunca mais diria qualquer coisa a respeito.
Talvez o meu maior receio fosse ser incapaz de explicar as minhas dúvidas, a minha incompreensão. Não existem motivos reais para o seu distanciamento proposital. Para a sua necessidade de demonstrar estar melhor do que realmente se sente. Para a sua insistência em nunca se fazer presente, se esforçando para ser tão importante que a falta, assim, seria justificada.
Não se justifica. Não se justifica a ingratidão ou o egoísmo. A primeira, porque eu me esforço muito para estar ao seu lado quando você precisa, para tentar modificar o que está ao meu alcance, para tentar te ajudar a viver de uma forma mais gostosa e leve. Eu faço isso de todo o coração. Mas quando vem a calmaria, aonde está você? Quando eu preciso, aonde está você?
E o egoísmo, por insistir em acreditar que tudo ao redor é menor do que você. Que todas as pessoas são mais abençoadas, que todos são mais sortudos e felizes e, em consequência, são incapazes de te entender. Você cria essa situação, joga a culpa em todo mundo e se esconde.
Mas de uma forma inexplicável, há algo que me faz não ir embora de vez. Porque eu já teria abrido mão de qualquer outra pessoa por muito menos, mas não de você. E é por isso que eu fico, que eu relevo, que eu engulo, que eu não entendo, mas não mais questiono. De maneira silenciosa, e muitas vezes triste, eu aceito as condições veladas e me coloco ao seu dispor. Talvez porque eu acredite que poucas pessoas façam isso por você. Talvez porque eu acredite que um dia você finalmente vai enxergar e mudar. Talvez porque eu goste demais de você, e por isso aceite as absurdas condições que nunca foram ditas em voz alta.
Então, mais uma vez, eu estou aqui para quando precisar - apesar de você raramente estar aí, e de muitas vezes eu nem saber aonde o aí se encontra. E, me dói admitir, de eu já nem me importar tanto.

2 divagações:

Pauline disse...

Escreva mais que eu adoro Amandita!!rsrs

Marcelo "Muta" Ramos disse...

hum...