28 de dezembro de 2010

Chatice de ano novo

Que preguiça de fazer post de fim de ano. É sempre a mesma coisa: chega nessa época e a gente vê que aconteceram algumas coisas boas, outras nem tanto, e todo mundo fica achando que o próximo ano sim vai ser O ano.
Eu até poderia dizer que 2010 foi O ano, porque eu casei e to morando numa casa diferente - e eu morei na mesma casa desde que nasci. E sim, foi um ano cheio de preparativos, expectativas e novidades, aconteceram coisas muito bonitas e muito bacanas, mas sabe, sempre acontece um monte de merda junto e aí, no final das contas, a balança se equilibra.
Durante os preparativos do casamento eu estava muito contente, escolhendo cada detalhe com o maior cuidado, pensando em tudo o que se pode imaginar. Aí sempre tem alguém pra encher o saco e dizer que isso é bobagem, é jogar dinheiro fora. Você faz a lista de presentes, tem quem ache que a lista tá pobrinha, tem quem dê presente de fora da lista, tem quem ignore tudo e apareça no dia da festa de mãos abanando. Engraçado que, antes, a gente não ia na festa mas mandava presente. Hoje você vai na festa e não leva nada. Sério, um jogo de meio dúzia de copos do Carrefour já teria sido bem útil.
Você pede pras madrinhas irem de longo, uma delas se nega. Você pede pros padrinhos irem de terno preto, um deles ignora e vai de cinza. Você desiste e não pede mais porra nenhuma, e nada muda. Quando chega o dia da festa, muitas sensações se misturam. Uma delas é a de alívio.
Aí os inquilinos só saíram daqui de casa uma semana antes do casamento. Saíram e deixaram o rastro da maldade. Em uma semana o apartamento foi pintado e consertado, e os móveis foram instalados. Quando voltamos de viagem, eu fiquei responsável pela arrumação de todo o resto, e olha, dá trabalho.
Esse ano eu pedi demissão sem ter outro emprego, algo que eu nunca imaginei que faria. Mas eu cansei de fazer o que não gosto. Acho que eu sou jovem demais para me acomodar desse jeito. Tentei muito conseguir algo antes de tomar essa decisão, mas não deu. É claro que muita gente se achou no direito de me criticar, COMOASSIM abandonar um emprego tão bom?, mas o que mais as pessoas fazem na vida além de criticar?
Agora eu estou desempregada, sem dinheiro, e passo o dia todo em casa, sozinha com o Ziggy. Eu fico dando F5 nas páginas de vagas de emprego, cozinho, arrumo a casa, vejo filmes e a vida passa nessa monotonia. Aí eu penso: eu tenho uma família nova, uma casa nova, um cachorro novo, e mesmo assim me falta tanta coisa.
Pode ser que eu soe um tanto ingrata, mas não consigo pensar de outra maneira. O tempo passa e as felicidades vão ficando cada vez mais efêmeras. Eu vi muitos amigos meus no dia do casamento, mas talvez eu nem os veja mais. A vida muda muito, as pessoas vão embora, o tempo fica curto, as responsabilidades só aumentam, poxa, é tanta coisa de uma vez. Todo ano é uma avalanche de novidades que eu vou engolindo garganta abaixo, isso cansa demais.
Até 1998 eu estudei na mesma escola, na rua da minha casa, com os mesmos colegas. Em 99 eu fui estudar na ETE, tinha um monte de aula vaga e andava de ônibus. Em 2000 teve uma greve monstro, eu percebi que daquele jeito nunca passaria num vestibular pra medicina e fui estudar no Anchieta. Em 2001 eu terminei o colegial. Em 2002 eu fui pro cursinho e fiz meu colegial lá, porque ficou claro que eu não tinha base alguma. Em 2003 eu namorei um cara que morava em outro estado, percebi que não passaria de novo em medicina e, como eu era apaixonada por genética, resolvi prestar biologia. No começo de 2004 eu entrei em biologia na Unesp de São Vicente, campus de biologia marinha. Não aguentei um semestre inteiro de gente assitindo aula de biquini e prancha e voltei pra São Paulo. Fui estudar na São Judas ultrajada por ter jogado fora dois anos de cursinho.
Em 2005 eu namorei um professor da faculdade que era o maior maluco sacana da parada, e quando o namoro terminou, mudei pro noturno pra ninguém me incomodar. Comecei a trabalhar, comecei a namorar o Alexandre, tinha meus velhos amigos por perto, e 2005 acabou sendo um bom ano. Em 2006 comecei a fazer estágio voluntário num laboratório que ficava longe pra caramba; eu entrava às 7h e não ganhava nem vale-coxinha. Logo depois consegui em estágio em pesquisa clínica no Hospital do Rim. Eu estagiava por 6 horas, ganhava bolsa e vale transporte, adorava o trabalho e as pessoas de lá, mas no fim do ano o nosso centro foi fechado e eu fiquei sem estágio.
Em 2007 dei monitoria de ecologia pra não ficar sem fazer nada. Não consegui outro estágio, não consegui emprego, briguei feio duas vezes com o Alexandre, e resolvi que faria faculdade de farmácia se me formasse desempregada. Em janeiro de 2008, lá estava eu me matriculando. Consegui estágio na DRS um mês depois. Passados dois meses, no começo de abril, depois de mais brigas, o Alexandre quis terminar o namoro. Ficamos separados por uma semana bem comprida, e fizemos as pazes no fim de semana, cheios de promessas e novos ideiais. Na semana seguinte, veio o meio aniversário. Na sexta ele foi internado, e cinco dias depois ele estava morto. Eu larguei a faculdade, passei 3 semanas longe do trabalho, depois voltei e fui contratada. Em setembro, fui pro CEATOX.
Em 2009 eu pensei em procurar a Monique pra fazer mestrado. O CEATOX não era bem o que eu tinha imaginado, mas tinha a Érika, o Alexandre, a Rachel, tanta gente bacana, e não pesava tanto. Um dia a Érika foi embora, depois demitiram o Alexandre, então a Rachel foi pra Pfizer, e às vezes eu passava uma semana inteira sem falar com ninguém, comendo qualquer coisa que o delivery levasse pro HC. No meio do ano, eu comecei a namorar o Marcelo. E antes do ano terminar a gente já estava planejando o casamento.
Esse ano, bom, eu já falei sobre esse ano. Mas foram muitas, muitas coisas que aconteceram desde que eu saí do Visconde, em 98. Tanta gente que chegou, tanta gente que partiu, tantos sonhos desfeitos, tantas decisões a serem tomadas. Eu queria terminar 2010 com um novo emprego, assim a minha meta de ano novo seria comprar um carro. 2011 seria um ano sem atropelos, sem novidades.
Mas se eu não conseguir emprego no começo de 2011, vou ter que fazer outra faculdade. Porque o mercado pros biólogos é terrível, mas mais terrível ainda é ficar sem fazer nada. Aí começa tudo outra vez: curso novo, faculdade nova, estágio, colegas, provas. Eu to cansada por antecipação.
Eu to com um cansaço de mudanças acumulado.
Pra 2011 eu tenho três promessas: 1- não vou engolir sapo, porque eu tentei e percebi que não vale a pena; 2- não vou sofrer por quem mal lembra que eu estou viva; 3- não vou fazer nada no meu cabelo além de cortar. Na prática, o mais fácil de conseguir é o 3. Mas mais do que isso, eu não me atrevo a prometer.
2010, 2011, será que faz alguma diferença?

21 de dezembro de 2010

O Natal

Cold wind blows on the soles of my feet
Heaven knows nothing of me
I'm lost, nowhere to go
Oh, when I was a kid...oh, how magic it seemed
Oh, please let me sleep, it's Christmas time
Pearl Jam
 
Eu montei a árvore de Natal, coloquei enfeite na porta de casa e pendurei luzes de estrelinhas na minha janela. Pensei até em colocar umas meias no móvel da tv, porque obviamente eu não tenho lareira, mas fiquei com receio do Ziggy comer. Talvez eu ainda as coloque. Talvez eu coloque um ossinho dentro de uma delas.
Com as minhas parcas economias dessa fase de desemprego, eu comprei presentes para toda a família. Eu gosto muito de escolher presentes para as pessoas, de procurar algo que elas realmente gostariam de ter, de imaginar como ficarão felizes ao abrir o pacote. Acho que dar presentes é tão bom quanto recebê-los.
 
It's coming on Christmas,
And they're cutting down trees.
Putting up reindeer
And singing songs of joy and peace,
Oh, I wish I had a river I could skate away on
Joni Mitchell

A época de Natal é quente demais. Geralmente chove na véspera, mas também geralmente é aquela chuva grudenta, abafada, que faz com que eu me sinta mal. Todo ano eu tento me arrumar, enrolar ou alisar os cabelos, passar alguma maquiagem, mas no meio do processo acabo só passando uma escova e um batonzinho. O calor me vence.
E como sempre tem alguma coisa assando, a casa vai ficando mais quente ainda. Aí eu começo a amaldiçoar o peru, o fiesta, o lombo, o bolo de nozes e a São Silvestre. Até que me lembro que a São Silvestre é no ano novo e percebo que eu não sou mesmo especialista nessas festas.

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow
The Beatles

No Natal se comemora o nascimento de Jesus. Eu tenho o maior respeito por Jesus, mas nossa relação tem sido um tanto conturbada com o passar dos anos. Honestamente, eu não me sinto muito à vontade celebrando o nascimento dele. E me sinto menos à vontade ainda fazendo festa e colocando o significado em segundo plano.
Eu não tenho nada a ver com as colheitas dos colonos, mas no Dia de Ação de Graças as pessoas agradecem pelo que aconteceu de bom durante o ano. Se o Natal também tivesse um significado alternativo, talvez eu me sentisse melhor.

Pray for the other ones
At Christmas time
It's hard, but when you're having fun
There's a world outside your window
And it's a world of dread and fear
Where the only water flowing is
The bitter sting of tears
U2

O meu Natal ideal seria ficar na minha casa e pedir uma pizza. Reunir todo mundo, esperar até meia noite, comer mais do que o estômago comporta, gastar mais dinheiro do que se tem, isso não faz muito sentido para mim. Enquanto tanta gente vê o Natal como uma data alegre, eu vejo como uma época em que você é quase obrigado a se sentir feliz.
Esses comerciais com menininhas de vestido e vovôs fazendo panetone, as lojas virtuais que me mandam
cupons de desconto em compras acima de 300 reais, papai noel com barba de mentira, neve de mentira, tanta coisa de mentira. Esse excesso de felicidade, esse amor transbordante, é tudo tão opressor.

Up above candles on air flicker
Oh they flicker and they float
But I'm up here holding on
To all those chandeliers of hope
Coldplay

Acho que não gostar de Natal é um processo irreversível.
No Natal as pessoas se reunem, trocam presentes e se abraçam, e às vezes as pessoas com quem você gostaria de partilhar tudo não estão lá. Enquanto você abraça alguém, pensa no abraço faltante. Pode ser que em outros Natais a falta nem se faça tão pungente, mas é interessante com a lembrança daquele Natal dolorido se sobressai.
Então o Natal acaba sendo a época de lembrar dos cartões que você não recebeu mais, dos presentes que você não comprou mais, das nozes que não abriram mais para você. Fica sendo um dia de saudade e de uma alegria meio triste.

17 de dezembro de 2010

Filhos únicos são mais felizes?

Agora estão saindo várias reportagens sobre as muitas vantagens de ser filho único.

Quando o Thiago nasceu, eu tinha 2 anos e 5 meses. Ou seja, eu não sei o que é ser filha única. O que eu sei é que os Comandos em Ação podem ser filhos da Barbie, que existe um prazer mórbido em esconder seu potinho de salgadinho enquanto o irmão come, e que irmão mais novo topa comer a parte da bolacha que não tem recheio.

A Samantha, quando era pequena, não tinha opinião formada sobre ser filha única. Ela teve todas as mordomias: quarto cor de rosa, mil roupinhas da moda, tênis caros, furgão da Barbie. A mãe dela a chamava de "meu bebê", amassava os comprimidos, misturava com guaraná e a colocava no colo para tomar o remédio. Depois de adulta, a Samantha me disse várias vezes que queria ter um irmão para poder dividir o fardo do pai doente. E muitos outros fardos que ela acabou carregando sozinha.

Eu e o Thiago sempre dividimos o mesmo quarto. E o mesmo guarda-roupas, a mesma cômoda e o mesmo computador - até cada um poder comprar seu note. Nós usamos tênis Le Cheval para ir pra escola, e no Natal ganhavamos um tênis "de sair" (que duraria até o Natal seguinte). Ele herdou minhas camisetas e calças de moletom, e nós nunca disputamos atenção ou preferência de pai e mãe. Tinha lugar pra todo mundo.

A Cindy diz que queria ter tido um irmão desde o primeiro dia que a conheci. Ela já me contou várias vezes sobre quando a mãe dela achou que substituiria um bebê por bonecas ou pintinhos, e fazer referências ao "irmão da Cindy" virou uma brincadeira comum. Acho que ela queria um irmão para ter companhia e poder contar sempre com alguém, mas existe um fato inquestionável: ela tem uma mãe integral e pode contar com ela sempre e mais um pouco.

Teve uma fase, depois da infância, em que eu e o Thiago ficamos mais afastados. Cada um com sua vida, suas novidades e seus/suas namorados(as). Ele era bagunceiro demais, e meu TOC foi sendo aprimorado com o passar dos anos. Eu queria dormir no escuro, mas a luz do computador + luminária batia direto no meu rosto - e ele não queria trocar de cama. Um sabotava a cota de Pringles do outro. E os brados inconformados eram bem altos.

Eu acredito que o Bruno gostaria de ter tido um irmão para dividir tudo. E acredito que essa ideia de ter um irmão deve ter sido tão presente na vida dele que, para quem não conhece, é quase impossível adivinhar que ele seja filho único. Os pais do Bruno deram a ele uma fonte de renda desde bem novo, ele ganhou carro de presente e pode trabalhar só depois de formado. Repito: é quase impossível afirmar que ele não tenha um irmão.

Eu e o Thiago pudemos estudar em escola particular porque a minha mãe trabalhava no nosso colégio. Quando ela foi demitida, eu estava na oitava série, e o Thiago, na sexta. Meus pais pagaram dois anos de colégio para que ele pudesse, como eu, estudar lá até terminar o extinto ginásio.
Eu tirei carta de motorista aos 19 anos, e o Thiago, aos 20. Meus pais nunca emprestaram o carro para que a gente pudesse trabalhar ou ir para a faculdade.
Eu queria estudar Medicina, e minha única opção era entrar numa faculdade pública - o que não consegui fazer, graças a um colegial muito ruim. Como estudei numa faculdade não tão cara, o Thiago pode estudar Engenharia na FEI.

Quando eu conheci a Sandra, ela tinha 11 ou 12 anos. Sua mãe, que era chinesa, tinha morrido há uns quatro anos. Ela morava só com o pai, e a pessoa mais próxima a ela era uma vizinha chamada Margarete. Se não me engano, a Sandra tinha uma tia que morava na Liberdade, mas elas não tinham muito contato. O pai da Sandra morreu alguns meses antes dela completar 18 anos. Ele tinha deixado para ela o apartamento e uma poupança, mas como ela era menor de idade, não podia fazer nada com esses bens. A mãe da Aline, uma amiga nossa, foi tutora da Sandra até que ela atingiu a maioridade. A Sandra ficou morando sozinha desde então, e foi se afastando de todo mundo até que eu nunca mais tive notícias dela.

Meu pai me ensinou que o que acontece numa casa só diz respeito a quem mora na casa, e eu sempre levei isso muito a sério. Mas vou contar que, uma vez, meu pai quis ir embora. Era aniversário do Thiago, e depois de um dia inteiro de conversas inflamadas, comemoramos o aniversário na pizzaria que tínhamos na época. Meu pai encheu uma bexiga amarela.
Quando cheguei no velório do Alexandre, o Thiago desceu do carro comigo. Ele sentou no banco ao meu lado, e segurou a minha mão dizendo para eu ter calma. Antes de sair de casa, ele me perguntou se podia levar a faixa de quando o São Paulo ganhou a Libertadores.

É quase impossível que eu saiba muita coisa sobre ser filho único. Acredito que deva ter vantagens, afinal, tem tanta gente que acha bom. Mas a verdade é que eu nunca escutei alguém que tem irmãos dizer que preferia não tê-los.

15 de dezembro de 2010

Eu não gosto de Jane Austen

Eu acho Orgulho e Preconceito um livro muito chato. O filme, então, é de matar. Razão e Sensibilidade é pior ainda.
Eu nunca consegui ler Crime e Castigo até o final. E nem Metamorfose. Mas esse último eu pretendo tentar outra vez.
Eu não consigo ver a trilogia de Star Wars. Quer dizer, eu vejo. Mas não presto atenção, ou levanto do sofá no meio do filme pra fazer qualquer coisa, ou pego a revista que estiver ao meu alcance e fico folheando.
Eu não acho que Cidadão Kane seja grandes coisas. Ok, eu acho chato pra cacete.
Eu acho O Amor nos Tempos do Cólera bem melhor do que Cem Anos de Solidão.
Eu não sei apreciar quadros que não sejam impressionistas. Olho, gosto ou não gosto, e só. Não tenho conhecimento e nem paciência para discutir pintura.
Eu não sei nada de geografia. Não sei aonde ficam os países, nem os lagos, nem os rios, nem as fronteiras.
Eu só leio gibi da Mônica. Não me pergunte sobre "quadrinhos" ou "HQs". Aqui é só Turma da Mônica.

Eu adoro Anne Rice e acho O Vampiro Lestat um dos melhores livros que já li. Acho o filme Entrevista com  o Vampiro excelente, e A Rainha dos Condenados é uma adaptação sofrível. Mas se estiver passando, eu vejo.
Eu leio revista TPM, Vida Simples e Bons Fluidos, e tendo colocar algumas daquelas matérias em prática. Geralmente não dá certo.
Toda tarde eu torço para que passe Quero ser Grande ou Curtindo a Vida Adoidado na Sessão da Tarde. Já vi De Repente 30 mil vezes, e Mensagem para Você continua sendo dos meus filmes preferidos.
Eu acho O Lustre um livro sacal. E não canso de ler Perto do Coração Selvagem, em toda a sua maravilhosa imaturidade.
Eu gosto de figuras que me façam algum sentido penduradas nas paredes. Meu poster I want to believe, uma fotografia em preto e branco de Friends ou dos Beatles. Ou aqueles quadrinhos de desenhos de francesinhas afrescalhadas.
Eu gosto das histórias dos índios americanos e, por incrível que pareça, me sinto muito próxima a elas. Chamo meu cachorro de Four Socks e o Marcelo de Tatanka.
Só fui me interessar por X-Men quando saíram os filmes. Aí eu fui pesquisar e ler as mitologias, mas meu preferido continua sendo o Wolverine.

Eu só não sou uma fraude porque venho aqui e admito tudo.

13 de dezembro de 2010

Became the special dog

Sábado o Ziggy foi para a tosa pela primeira vez. Depois de quase uma hora e meia, a recepcionista do pet shop liga para avisar que ele estava pronto. Eu e o Marcelo fomos buscar o mostrinho peludo e lá estava ele, todo lindo, limpinho e cheiroso. Para orgulho dos donos babões, a moça contou que ele nem deu trabalho - apesar de ter ficado com medo do secador.


Então foi a hora da vacina. Entrando no consultório ele foi vacinado, pesado, e começa aquele blablabla sobre como ele estava ficando grandão, quanta ração deveria receber por dia e tal. Daí eu resolvo sanar a minha dúvida.

- Doutora, queria saber se tem alguma coisa errada com o olho dele. Porque parece que a íris do direito é maior que a do esquerdo, sabe. Quando ele vira os olhos, quase nem dá pra ver a parte branquinha do olho direito.
- Deixa eu ver... ah, olha, eu acho que é porque ele é estrábico.
- Como assim? Meu cachorro é vesgo?!
- É, parece que sim... e fica parecendo que essa íris é maior porque, na verdade, ele não está virando o olho.

Primeiro eu fiquei com dó do vesguinho, depois eu comecei a pensar se ele já tinha vindo pra casa assim ou se nós que estragamos. E por fim, eu percebi que ele realmente faz juz ao nome que recebeu.


Porque além de maluco e ruivinho, o Ziggy aqui também tem um olho diferente do outro. E estrabismo, pupila dilatada, ah, vamos todos morrer mesmo.

10 de dezembro de 2010

Do cansaço

Chega uma hora que a gente cansa. Cansa de tentar, cansa de ter paciência, cansa de ter calma. Cansa, principalmente, de esperar.
A gente cansa de esperar que o outro se lembre, se importe, ou perceba alguma coisa. Cansa de esperar por um emprego. Por uma viagem. Por uma carta. Por uma conversa. Por coisas pequeninas que fariam diferença, mas que não acontecem.
Às vezes, só tentar não leva a nada. Você pode tentar melhorar um relacionamento, mas se a outra parte quer mais é que se foda, nada muda. Você pode tentar ter um trabalho, mandar mil currículos, fazer cursos. Se ninguém te contratar, você continua na mesma. Você pode ligar, mandar email, ser gentil e prestativa, mas se não houver resposta, fica o vazio.
Aí, pronto. Cansa. E a gente para de tentar. Se acontecer, muito bem; se não acontecer, a grande verdade é que a vida se encarrega de colocar ordem em tudo. A ordem pode ser uma surpresa, mas ela certamente virá.
Então eu cansei. To parando muita coisa por aqui. Se for para ser, será. Se não for, cedo ou tarde vai aparecer uma janela.
O que não pode é levar a vida esperando ou tentando em vão.

6 de dezembro de 2010

Cheiro de saudades

Se tem um cheiro que aguça a minha memória, é o cheiro de pipoca de cinema. Que, veja bem, não é o mesmo cheiro da pipoca de microondas que a gente faz em casa, e nem daquela oleosíssima que a gente compra, pra alternar com o milho verde, antes de entrar na fila do ônibus.
É passar em frente ao cinema e sentir o cheiro amanteigado que eu penso em inverno. Talvez porque o tempo frio não seja dos mais propícios para passeios ao ar livre, eu sempre fui muito ao cinema nessa época. Aliás, eu sempre fui muito cinema em qualquer época.
O cheiro de pipoca me lembra das sessões que eu peguei no Extra Anchieta com a Paloma, quando estudávamos na ETE. Nós éramos as campeãs de filminhos de terror - e naquela fase Pânico / Lenda urbana / Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, tinha muito filme de terror para adolescentes. Nós ainda assistimos Dez coisas que eu odeio em você, e eu confesso que chorei no final. Mas o filme que mais marcou foi Elizabeth, porque a projeção estava meio defeituosa e achatava os personagens. Para mim, a rainha e seus nobres mais pareciam uns tomatinhos.
Também sempre me lembro dos filmes que vi com a minha mãe a minha avó. Minha avó, a velhinha mais esperta do velho oeste, se fazia valer da idade para entrar na sala antes de todo mundo. Aí ia ela com a minha mãe, a acompanhante, esperar lá dentro. Enquanto eu, do lado de fora, ficava na fila para poder sentar no lugar que já estava guardado. Nós somos uma família de mafiosas.
E eu não sei bem o motivo, mas o cheiro de pipoca de cinema me lembra uma jaqueta vermelha que tive.
Embora eu tenha sido uma moça namoradeira, o cheiro de pipoca não me desperta muitas lembranças românticas. É um cheiro dos filmes que eu realmente quis ver. O cheiro da minha adolescência, das amigas que se perderam pelo caminho, dos passeios familiares. O cheiro de mim quando era mais nova. Da meia entrada com carteirinha da escola.
O cheiro da pipoca me transporta para um tempo tão, tão bom, e aparentemente tão longínquo, que parece ter ficado em outra vida. Numa vida em que a diversão era ir ao cinema, em que não tinha bar nem balada, em que nem eu e nem meus amigos podíamos dirigir, em que o fim de semana era filme e ICQ depois da meia noite. Era menos, muito menos, mas era maravilhoso.
E quer saber? Eu nem como pipoca com manteiga.