Para mim, o mais importante não é o que acontece na vida, mas sim o que aprendemos com cada situação. E o grande desafio não está em aprender as lições. A parte difícil está em colocar a aprendizagem em prática para tentar ser uma pessoa melhor. Eu percebi que o meu maior objetivo nessa vida é ser uma pessoa cada vez melhor. Não faço questão de ser a melhor profissional, a amiga mais divertida, a mulher mais incrível de todas. A minha preocupação é interna. Eu acredito que preciso ser melhor para mim para poder ser melhor com o que está do lado de fora.
Então eu analiso sempre o que me acontece, tento entender quais foram os motivos, vejo como vai refletir na minha vida e na vida das pessoas que me cercam, e começo a arquitetar uma maneira de tirar o máximo proveito e transformar numa experiência valiosa. Na prática, esse processo é sempre muito trabalhoso. Porque a partir do instante em que você se dispõem a melhorar e a progredir, você perde toda a zona de conforto.
Eu poderia ter me acomodado em diversas situações da minha vida. Poderia ter tomado decisões mais seguras, poderia ter sido mais vítima, poderia ter aceitado o que me desagrada para que todos ao redor se sentissem bem. Mas eu não consigo ser dessa maneira. Eu sou movida pelo desafio. Se surge uma possibilidade que me parece interessante ou promissora, eu aposto nela. E, claro, como consequência, eu levo uma vida caótica.
Olha, em momento algum eu vou dar a entender que essa forma de viver é a melhor de todas. Eu não acho mesmo que ser como eu sou é o ideal. Admiro quem engole os desagrados, admiro quem permanece numa situação confortável, e admiro até quem fica parado porque tem medo. São maneiras diferentes de viver, e se eu tivesse oportunidade, experimentaria cada uma delas só para ver como é que é.
Eu estou recomeçando a todo instante. Ao invés de esperar que algo aconteça, eu sinto uma enorme necessidade de fazer acontecer. Talvez por isso eu sempre ache que estou precisando descansar, e alguém pode ser ironicozinho e pensar "descansar de quê?". Descansar de tentar e de pensar. Descansar a mente. Eu tenho sonhos maravilhosos sobre estar num lugar tranquilo, pensando em absolutamente nada.
Mas enquanto não consigo fazer esses sonhos se tornarem reais, eu continuo tentando mais uma vez. Às vezes eu tenho momentos de inocência e rebeldia e acho injusto que a minha vida seja tão cheia de altos e baixos, tão recheada de percalços. Mas se existe alguma verdade na ideia de que a gente atrai o que transmite, posso dizer que devo ser a maior responsável por todas essas reviravoltas que não param de acontecer.
Então eu penso na minha avó. E eu penso no meu pai. E entendo que a gente pode até não querer sair da zona de conforto, mas que ninguém tem garantia de estar seguro para sempre. A gente não sabe quando vai ser obrigado a tomar uma providência. Eu tomo demais, mas todo mundo é obrigado a se posicionar de vez em quando.
Eu acho que eu não sou hoje o resultado de tudo o que vivi. Eu sou o que sou porque quis vivenciar o que aprendi ao longo dos meus quase 27 anos. Eu me machuquei quando poderia ter evitado, mas se não fosse assim, eu não teria as marcas do que quis aprender. Então eu sei me responsabilizar por onde estou hoje. Só não sei ainda como fazer com que tudo isso seja mais fácil, e é nisso que eu tenho gastado a maior parte do meu tempo.
Então, às vezes, o dia amanhece cinzento e chuvoso. A minha mãe liga, o Marcelo me manda mensagem, passa Friends na tv, o alecrim não cresce porque o manjericão não deixa, o Ziggy lambe o meu nariz. E com tanta coisa fora de lugar, eu entendo que tudo está exatamente como deveria estar. E aí eu sou feliz.
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
C.L.
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