22 de março de 2011

O saudoso Clodovil

Durante um tempo, o Clodovil apresentou um desses programas femininos vespertinos. Eu era espectadora assídua, porque todo dia prometia uma encrenca diferente. Ele falava mal da Marta Suplicy e depois fazia arranjos de flores no ar para mandar para ela, brigava com os anunciantes quando eles davam o telefone de contato (ele achava que se nem isso podia fazer, não precisava ficar plantado ao lado do anunciante) e gostava de se gabar de sua elegância.
E embora ele fosse grosseiro, é fato que era uma pessoa inteligente e, por que não, elegante sim. Dentre as várias histórias que ele contava sobre a mãe, a infância e as mil personalidades que eu mal tinha ouvido falar, vou destacar aqui uma história que me lembro com muita frequência. Bem, na verdade, eu não lembro com exatidão dos personagens ou do ocorrido, então vou adaptar de acordo com a minha memória falha.
Dizia ele que, certa vez, uma senhora foi presenteada com um lindo vaso contendo um monte de merda. Ao que parece, algum desafeto resolveu fazer uma homenagem de extremo mau gosto e enviou essa lembrancinha. A tal senhora, em agradecimento ao gesto, mandou entregar ao seu fã uma bandeja de prata cheia de rosas lindas, e junto a ela, um bilhete dizendo: "cada um dá o que tem".
Acima do excelente exemplo de como se dá um real tapa com luvas de pelica, essa história sempre me faz pensar que passamos tempo demais esperando receber o que as pessoas não podem nos dar. Não adianta esperar que alguém extremamente egoísta vá perceber o que te falta. É bobagem querer que alguém muito egocêntrico vá se preocupar com você. É perda de tempo pensar em mostrar os erros cometidos pelos eternos donos das verdades.
Em poucas palavras, quem só tem merda nunca poderá te mandar flores. Mas não é por isso que você vai transformar suas flores num monte de merda.

3 divagações:

Marcelo "Muta" Ramos disse...

Muito bem, esse pensamento é mais do que válido! :o)

Mia disse...

adorei!

disse...

Outro dia ouvi uma frase que se encaixa bem nesse contexto... "não pense que o amor é aquilo que você recebe... seu amor é aquilo que você oferece". Passamos tempo demais pensando no que recebemos, que "poupamos as nossas flores"... Adorei o post! E pior é que eu gostava do Clô! hahaha
Beijo! =*