11 de março de 2011

Seis meses

Se eu pudesse dar um conselho para qualquer pessoa, eu diria: case-se. Case, more junto, more separado mas estável, enfim, tenha alguém na sua vida. Eu nunca pensei que daria esse tipo de conselho, e nunca daria ouvidos se o recebesse. Mas hoje eu realmente acredito que ter alguém especial faz toda a diferença.
Eu acho a solidão muito necessária, mas não sei o que o futuro reservaria a alguém que, porventura, passasse a vida inteira sozinho. Acreditar que ter amigos é ter companhia, infelizmente, é uma ilusão. Os amigos são o ponto alto da vida quando somos mais jovens. Com o passar do tempo, cada um deles (e nós também) segue o seu caminho: constrói uma profissão, viaja, faz novos amigos, compra uma casa, vai morar em outro lugar. Tem uma família. E sim, ter uma família muda tudo.
Desde o início a família é o porto seguro. Você pode discordar dos seus pais, pode discutir com seus irmãos, mas nada vai mudar o fato de que aqueles são os seus pais e seus irmãos. É uma das únicas certezas que podemos ter. Eu venho de uma família que esteve unida mesmo quando foi muito difícil, e acredito que isso tenha contribuído bastante para que eu seja quem sou hoje - foi na minha casa que eu aprendi o que é carater, honestidade, respeito e trabalho.Eu também venho de uma família que me deu a oportunidade de ter uma grande amiga dentro de casa. A cumplicidade que eu construí com a minha mãe lançou uma luz muito especial ao que eu chamo de lar.
Quando eu pensei em me casar com o Marcelo, verdade seja dita, eu pouco ou nada estava pensando sobre família. Meu pensamento foi mais prático: já que vamos morar juntos, por que não aproveitamos e fazemos uma festa para celebrar? Ah, é verdade, podia mesmo ser uma festa de casamento! E foi assim que eu finalmente decidi juntar as escovas de dentes. Se eu não tinha pensado seriamente sobre constituir família, também não tinha alimentado qualquer expectativa sobre isso - então, as minhas chances de frustrações eram bem pequenas. E quando alguém me dizia que o começo de um casamento é muito difícil, que a adaptação é lenta, que você se vê morando com um estranho, eu pensava que tiraria isso de letra.
Honestamente? Eu tirei isso de letra. Tive momentos de absoluto pânico, como quando o relógio marcava quase 17h num sábado e ainda tínhamos muitos furos pra fazer nas paredes (quem mora em apartamento sabe como é). Ou antes de comprar cortinas para a sala, quando a casa ficava tomada pelo sol e eu podia ver todas as poeirinhas nos cantinhos. Ou quando trouxemos o Ziggy, e eu olhava praquela bolinha de pelo destruidora sem ter a menor ideia do que fazer com ele. Ou quando fiquei mais de uma hora esperando o ônibus para ir para a casa da minha mãe, sem saber que ele não passava naquele ponto. Ou quando eu meu dinheiro acabou e eu me vi obrigada a pedir dinheiro pra ir ao mercado. Foram situações que me tiraram do sério, porque sair do sério é uma das minhas grandes especialidades. A facilidade de adaptação é outra delas.
Até hoje, eu nunca senti estar morando com um estranho. Eu nunca vi ou ouvi algo do Marcelo e pensei: quem é esse cara? Eu nunca achei que tinha tomado a decisão errada. E quem estiver lendo pode pensar que, claro, um casamento de seis meses tem que ser maravilhoso. Bem, não é o que dizem sobre o início dos casamentos. E além do mais, como eu já disse, não tenho grandes expectativas ou sonhos românticos. Nada na vida é fácil, por que um casamento teria que ser? Eu sempre pensei que teríamos bons momentos, outros ruins, mas eu esperava que os primeiros compensassem os segundos.
O que me surpreendeu, e muito, foi conhecer a força que a unidade do casamento tem. Quando você escolhe alguém para viver, está escolhendo com quem vai planejar o futuro. Com quem vai construir sonhos. Quem vai te fazer companhia nas manhãs preguiçosas. Com quem você vai viajar nas férias. Com quem vai conversar antes de dormir. Quem vai te ajudar a escolher o livro na prateleira. Com quem vai jogar conversa fora durante o café. Você vai escolher um parceiro, uma companhia constante, um álibi, um cúmplice. E vai descobrir que, juntos, são maiores e mais fortes do que qualquer pessoa que esteja do lado de fora. É estranhamente maravilhoso notar que algumas situações, e até pessoas, se tornam muito insignificantes quando você não está sozinho.
E você também descobre uma nova dimensão sobre o amor. De repente você está perdido, e tem alguém ao lado para te acalmar. Para te fazer enxergar sob uma nova perspectiva, e para te assegurar que você não vai estar sozinho. No momento em que você sente aquele toque, aquele abraço, você nem consegue explicar quanto amor há ali. Um amor que não pede nada em troca. Que apenas existe, completo e seguro.
Eu gostaria que cada um pudesse experimentar essa experiência. Acho que todo mundo deveria se dar a chance. E, principalmente, todo mundo deveria aprender a deixar a alma, ao invés de apenas o coração, aberta ao que der e vier.

2 divagações:

mãe disse...

Lindo Amanda!
E eu fico muito feliz que vc se sinta assim.
Com o passar dos anos, algumas vezes eu olhei pro seu pai e pensei: será que foi com esse homem que eu casei?
Mas também com o passar do tempo eu tive a certeza que escolhi a pessoa certa pois tudo está guardado dentro dele: o respeito, a responsabilidade, a preocupação e o amor.
Então, se alguma vez vc se fizer a mesma pergunta, procure dentro do Marcelo e reencontre todas as coisas que fizeram vc escolhe-lo para seguir junto no caminho da vida.
Eu amo vc

Marcelo "Muta" Ramos disse...

:o)

Não tenho nem o que falar Amanda... Só que eu dei muita sorte!

Beijos!