25 de maio de 2011

A mágica do passado

Eu sou maravilhada pela capacidade que o tempo tem de transformar o passado em algo bom. Sempre que olho para trás, lembro com carinho e com saudade do que já passou. Mesmo para as coisas ruins eu olho dessa maneira. Eu me lembro dos piores momentos que vivi e é claro que dói, mas sabe, de alguma forma eu sinto ternura. Pode ser que seja só comigo. Ou pode ser que eu seja uma tremenda saudosista.
"Pode ser" não, porque de fato eu sou saudosista. Embora tudo o que seja novo me pareça interessante, tenho um apreço especial pelo passado. Eu sempre vejo um museu de grandes novidades. Gosto de pegar meus livros mais antigos e lembrar da época em que os li pela primeira vez. Gosto de rever Dawson's Creek e lembrar do colegial. Gosto de ouvir Smashing Pumpkins e lembrar de quando escolhi ser bióloga. Eu me esforço para reviver o perfume que usava quando entrei na faculdade e quase sinto agora o sabor dos biscoitinhos de nata que minha mãe fazia - quando existia nata e o leite vinha em saquinho.
Quando acordo aos domingos e está sol, fico lembrando dos discos que meus pais escutavam quando eu era criança. Eu tive a sorte de acordar aos finais de semana escutando Chico, Elis, Caetano, Bethânia, Robertão, e mais um monte de gente boa. E falando em música, quando meu pai levou o Nick para casa, em 99, eu estava escutando o CD do Titanic que meu irmão tinha me dado de aniversário (eu tinha 14 anos, dá licença?). Quando escuto hoje a esgotável canção da Celine, lembro da minha bolinha branca peluda e da aula de inglês que tive naquela noite.
Eu penso nas perolazinhas que rolaram rua abaixo quando fui assaltada e puxaram meu colar. Lembro das trepadeiras do quintal que a minha avó tinha quando meu avô estava doente. Lembro que o dia estava incrivelmente lindo quando voltei do cemitério em abril de 2008, com sol fraquinho e vento fresco. Lembro do misto quente que comi após descobrir que meu ex-namorado já estava namorando outra pessoa bem antes de nós brigarmos.
Eu não tenho complexo algum de Poliana. Pelo contrário, eu sou um poço stress e mau humor. Mas quando olho para trás, quando revejo o que vivi, consigo enxergar poesia em quase tudo. E aí eu volto meus olhos para o presente e acabo achando tudo muito especial. Porque apesar de eu não ter um puto na carteira e levar quase três horas diárias para chegar em casa, daqui a um tempo lembrarei com carinho e certo orgulho dessa época tão bagunçada.


Saudades da casa da mamãe

2 divagações:

mãe disse...

Como eu conseguiria ler tudo isso sem chorar?
Tenho muita saudade também de cobrir vc antes de dormir e fechar a porta sabendo que vc estava dormindo no quarto ao lado...
Bobeiras de mãe...

Mia disse...

tb tenho dessas coisas...

:)

mto legal querida

pq qndo td passa parece devaneio, é o q sempre penso!!!

bjusss