29 de julho de 2011

Desapego

Quando o Alexandre morreu, nenhuma das religiões com as quais eu tinha familiaridade me trouxe explicações ou acalento. Verdade seja a dita, além das pessoas que estiveram ao meu redor, foram dois os fatores responsáveis pela minha melhora: a terapia e o budismo.
Eu acho que o budismo me ganhou por ser denominado como uma filosofia, e não uma religião. E desde aqueles tempos eu sempre procuro ler a respeito dessa filosofia, tento me lembrar dos ensinamentos durante os meus dias e colocar em prática os ideais de tranquilidade e harmonia. Não é fácil. Mas já consegui aprender muita coisa.
Quando conheci o budismo, há mais de 3 anos, não aceitei a ideia do desapego. Veja, você não pode dizer a alguém que acabou de perder uma pessoa muito amada que ela deve se desapegar. Quer dizer, você até pode dizer. Mas não vai ser de muita serventia. Porque, eu aprendi, o luto é um processo muito importante para o renascimento. Eu acho que eu me dei todas as oportunidades de chorar, de relembrar, de cutucar a ferida e reabri-la muitas vezes. Eu vi todas as fotos, revi todos os filmes, fui sozinha a todos os lugares, reencontrei todas as pessoas. E sofri, sofri, sofri. Mas um dia parou de doer.
E foi quando parou de doer que eu finalmente entendi o desapego.
Eu perdi muitas coisas. Perdi possibilidades, perdi sonhos, perdi um passado, perdi amigos. Mas eu sobrevivi, e ao pensar nisso eu não posso deixar de sorrir.
Eu aprendi que sempre vou sobreviver. A pessoas, lugares e situações. Eu vou sobreviver porque depende de mim, e não de quem estiver ao meu redor. Claro, espero ter ao redor as pessoas que me são importantes, mas ainda que elas não estejam comigo, eu vou conseguir novamente.
Hoje eu consigo aceitar aquilo que não consigo mudar. Eu não tenho mais a ânsia que tinha de abraçar o mundo, de ter o melhor emprego, ter todos os meus amigos. Eu tenho o emprego que quis, e tenho os amigos que me querem. Tenho família, meu maior bem, e a amo profundamente. Mas mesmo sem eles eu conseguiria viver.
Antes eu pensava que a ideia do desapego era terrível, porque eu não me permitia pensar que não precisava. Hoje eu sei: não preciso. E é por isso que sou feliz. Porque o que eu tenho, quem eu tenho, eu tenho porque quero. E não existe sensação melhor do que a certeza de que, ainda que eu possa perfeitamente viver sem o que tenho, eu quero ter porque me faz mais feliz.

4 divagações:

Marcelo "Muta" Ramos disse...

e o importante é isso mesmo: quem se importa com você, não quer se desapegar de você! :o)

beijos meu amor!

@Sofia_Marshall disse...

Nossa Amanda, eu me senti MUITO tocada agora.
Não que eu tenha perdido alguém, aliás, este é o meu "maior medo", então o texto caiu que nem uma luva.
Muito bom *-*

Amanda disse...

Muito obrigada, Sofia! Seja bem vinda e volte mais vezes. =)

Natalia disse...

Prima!!
Parabéns pela suas palavras...já disse vira escritora. =D

Amo v.

OBS: Faz tempo q não passo aqui!!