Às vezes eu escrevo menos no que gostaria porque faz tempo que não consigo fazer textos leves e divertidos. Às vezes é porque eu não acho que deva expor o que eu sinto de verdade. Às vezes é porque eu penso naqueles que leem e se doem achando que é pessoal, ou pior, naqueles que repassam o texto como se fosse fofoca.
Mas às vezes eu finjo que não penso em nada disso e escrevo.
Eu acho que as experiências realmente válidas são aquelas que vivemos de verdade. Dou muita importância a exemplos, histórias de vida, conselhos (mas estou cagando para críticas que vem sem solicitação, e não presto atenção o bastante para aprender algo com elas) e até a livros de auto ajuda, mas acho que o que ensina, de fato, é aquilo que podemos vivenciar e sentir pessoalmente.
Quando alguém me conta uma história pessoal ou algum problema, é claro que eu sempre penso em ótimas soluções para o meu interlocutor. Porque é absurdamente fácil viver a vida alheia, e os problemas dos outros são sempre tão simples e de óbvia resolução. Mas eu me policio para responder e sempre tento mesmo me colocar no lugar do outro. Muitas vezes eu não digo nada, embora possa pensar que teria saída, caso fosse comigo. Só que não é comigo. Eu não sei o que a outra pessoa sente, não sei o que ela andou pensando, não sei o que ela realmente quer. Então, qualquer coisa que eu disser provavelmente não terá relevância alguma.
Se eu me rendo e finalmente divido o que se passa comigo, não espero palavras mágicas ou soluções mirabolantes. Eu falo quando: a) preciso me defender de quem acha que eu não tenho problema algum e se acha no direito de me cobrar atuação em seus próprios problemas; b) a pessoa que me escuta é diretamente afetada pelos meus pensamentos e decisões; c) alguém realmente interessado e carinhoso quer saber o que está acontecendo (ok, essa última praticamente inexiste). Eu não espero que quem me ouve resolva algo. Eu não acho que alguém deva se mobilizar por mim. Eu não aceito que quem está fora de mim mesma possa acreditar que viveria a minha vida melhor do que eu.
Pode ser que você pudesse persistir quando eu parei, e pode ser que você tivesse desistido bem antes de onde eu estou. Não importa. Porque você não pensa o que eu penso, não viveu o que eu vivi e não espera da vida o que eu espero. É muito simples e totalmente dispensável proferir opiniões que se baseiem em necessidades, prioridades, projetos de vida e, acima de tudo, vontades.
Se cada um vive uma vida, cada um é livre para trilhar o caminho que julgue mais adequado. E, para mim, os caminhos não são linhas retas e eu não uso cabrestos que me impeçam de enxergar novas possibilidades. Se eu estou infeliz ou incompleta, penso em tudo que está ali em cima - necessidades, prioridades, projetos de vida e vontades - e revejo os meus passos. Para mim, não faz sentido ficar incompleta para me manter na zona de conforto.
Eu tenho bastante coragem para tentar e para tentar de novo se não der certo. Não tenho medo de errar. Tenho medo, sim, de viver uma vida insossa e sem sentido. Tenho muito medo de olhar para trás e perceber que, por não ter arriscado, vivi uma vida que não era exatamente a que eu queria. Eu devo ter, sei lá, mais uns 50 anos de vida pela frente - se tudo correr bem. E não vejo motivos para amarrar o barco agora, se eu ainda não naveguei nas águas desejadas.
Julgamentos são inevitáveis. Sempre haverá alguém para reprovar e para discorrer sobre como teria feito diferente se estivesse no meu lugar. Pois é, mas não está. Não é ótimo para você não ser eu?
Eu vou seguir tentando. E mesmo que eu demore a chegar aonde quero, terei aprendido tanto enquanto percorro - tudo vale a pena, não é?
Não, eu não acho que do meu jeito é melhor. Mas é o melhor para mim. E quem há de poder afirmar o contrário?
I'm free but I'm focused
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