11 de setembro de 2011

Um ano e o que eu aprendi

Há um ano atrás eu estava me preparando para casar. De manhã eu fui ao Carrefour com a minha mãe, para procurar algo que não marcasse por baixo do meu vestido. Eu almocei hamburguer do Cachorrão com os meus pais e era inevitável pensar que aquela seria a última vez em que eu faria uma refeição como habitante da casa onde vivi desde que nasci.
Depois tomei banho e fui para o salão arrumar meu cabelo e fazer a maquiagem. Voltei para casa, tomei um suco no canudinho, fiquei vem tv com a minha mãe e me vesti quando chegou a hora. O dia do meu casamento foi comum, sem nenhum glamour, e foi perfeito. Eu não acho que todas as pessoas devam se casar, e considero que quem mora junto está mais do que casado. Mas minha experiência de preparo, de despedida da casa dos pais, de espera pela hora de ir embora, foi única e incrível. Eu tenho muito carinho pelas horas que antecederam meu casamento - tenho por elas exatamente o mesmo carinho que guardo pela cerimônia e pela festa. A diferença é que, durante o casamento, eu era a noiva. E antes dele, eu era a Amanda irmã e filha. É engraçado que depois eu tenha me tornado esposa. Passou-se um ano inteiro e eu não me acostumei com essa palavra tão cheia de pompa e cerimônia. Não acostumei com outras coisas, e me habituei a várias delas. Nesse primeiro ano de casamento:

  • Eu também não aprendi a dizer "marido". Parece tão distante e impessoal que não consigo ligar o termo à pessoa que mora comigo e que passa a maior parte do tempo rindo. Quando conheço alguém e vou falar sobre a minha família, eu sempre digo "o Marcelo, meu marido", para que nas conversas posteriores eu possa dizer apenas "Marcelo";
  • Eu acumulei mais hematomas do que em toda a minha vida. Sempre morei em apartamento, e o dos meus pais não era muito grande. Mas o meu é bem pequenininho, e por conta disso, tem muitos cantos e muitas prateleiras. Bati meu braço em todas as prateleiras, minhas pernas em todos os móveis e os dedos dos pés em todas as quinas. Agora acostumei e quase já não me destruo mais;
  • Aprendi que a poeira é uma entidade das trevas, porque não importa quantos panos úmidos você passe nos móveis: dentro de pouco tempo, tudo estará novamente coberto por pó. E mesmo que você passe pano no chão todos os dias, cabelos surgem por geração espontânea e chumaços de sujeira de algodão aparecem assim, do nada, no meio da sala. Ainda bem que depois de um tempo eu também aprendi que não tem jeito;
  • Aprendi a cuidar de plantas. Nunca pensei que teria muitas na minha casa, mas minha sacada é a mais florestística de todo o prédio - tem três orquídeas que sempre dão flores, um vaso de planta da fortuna (ou será da felicidade?) que em breve mudará para a sala, uma mini-horta com salsa, cebolinha, alecrim, manjericão, hortelã e orégano e uma jardineira de lavandas que não anda muito bem das pernas;
  • Tive dificuldade em dizer "minha casa" e preenchi um formulário com o endereço da casa dos meus pais há uns meses atrás. Agora eu consigo separar melhor, mas quando falo com a minha mãe, não consigo dizer "a sua casa". Aquela é a nossa casa, e essa é a minha;
  • Comecei a ver meus pais com olhos diferentes. Porque antes eles eram meus pais, e agora eu consigo vê-los como um casal. Eu passei a vida inteira pensando "por que meu pai fez tal coisa?", mas agora eu penso: "por que minha mãe permite que ele faça tal coisa?". Casar me deu entendimento do que é união e me fez entender que, numa família, o problema de um é sempre problema de todos. Os problemas do meu pai são os da minha mãe - que também são meus e do meu irmão - e vice-versa;
  • Em consequência também aprendi que, na minha nova família, tudo o que ocorre é de responsabilidade dos dois. Nós temos problemas, nós temos dinheiro, nós temos cachorro. Não tem distinção entre o que é meu e o que é dele, porque aqui dentro tudo é nosso;
  • Aprendi que deve sempre existir independência. Nós precisamos ter um bom tempo sozinhos, temos que conversar com nossos amigos e sair com eles, e manter nossa individualidade. Existem coisas a serem feitas junto, e coisas a serem feitas separado;
  • Estou aprendendo que rir pode ser o melhor remédio. Eu tenho tendência a querer controlar tudo o que me cerca, mas vejo que isso é impossível. Não tenho controle algum sobre o que as pessoas falam ou pensam sobre mim, e ainda que eu faça meu melhor, sempre vou desagradar a alguém. O Marcelo está me ensinando que o que as pessoas fazem, mesmo que seja errado ou injusto, é um problema delas - e que devo aprender a mandá-las se foder, ao invés de tentar remediar tudo. Mas eu sou uma aluna teimosa e ainda erro muito;
  • Aprendi que passar roupas é o que menos gosto de fazer, por isso eu protelo até não dar mais. Por outro lado, eu amo cozinhar e adoro inventar uma receita nova por dia. O problema é que dificilmente consigo repetir o feito em outra ocasião;
  • Aprendi que a minha cama é a melhor de todas, e que só um hotel muito legal ou uma pousada super charmosa me convencem a dormir fora. Dormir fora, desconhecer o colchão e carregar travesseiro são atos que eu evito ao máximo (é a minha pequena frescura);
  • Aboli o café da manhã. O máximo que consigo fazer é tomar um Toddynho a caminho do ponto de ônibus, mas se estou em casa, o mais provável é que eu faça do almoço a minha primeira refeição. Não é certo e nem saudável, e eu morro de saudade dos lanchinhos que a minha mãe fazia!
  • Passei a achar que o melhor lugar do mundo é a minha casa, e gosto quando as pessoas vem aqui. Elas podem dormir no sofá, assistir filmes até altas horas, podemos pedir pizza e dar muita risada, e eu adoro quando isso acontece;
  • Não tenho mais muita disposição para baladas. Quando penso em todo o preparo, em todo o dinheiro gasto nas bebidas que eu poderia comprar no mercado pela metade do preço e no absurdo valor de um vallet, desisto. Além do mais, dormir tarde me faz acordar tarde e protela tudo o que tenho para fazer (é incrível como sempre tem um monte de coisas para fazer). Prefiro sair para jantar do que enfrentar uma balada - além de eu não me cansar, não preciso cozinhar;
  • Comecei a aceitar que as amizades mudam. Eu quero ver meus amigos e sair com eles da mesma forma que fazia antes, mas algumas pessoas (especialmente as pessoas solteiras) não entendem que quem se casa continua tendo vida própria. No início eu ficava triste, mas agora aceito bem e torço para que um dia melhore;
  • Encontrei um equilíbrio entre minha necessidade de ser uma boa dona de casa e a minha preguiça. Tem dias que tudo está limpo, arrumado, a comida está perfeita e o cachorro está limpinho. E tem dias que eu fico de pijama, como miojo e não abro as janelas;
  • Percebi que a convivência gera necessidade. O Marcelo viaja muito a trabalho e eu não me incomodo, mas queria que ele estivesse em casa. Não tenho problema algum em ficar sozinha, mas a casa parece vazia e a hora de dormir é meio esquisita;
  • Aprendi que o mundo lá fora pode estar absolutamente caótico, mas que tudo faz mais sentido quando você chega em casa, tira os sapatos, liga a televisão e conversa sobre o tudo e o nada;
  • Entendi que eu sou uma pessoa muito abençoada. Eu tenho pais e um irmão que são toda a minha vida, que me cercaram de amor e que formaram comigo uma família perfeita em sua imperfeição. Tenho pais que sempre me apoiaram e nunca me fizeram desistir, que sempre acreditaram em mim e me ensinaram a ser uma pessoa boa. E então a vida me trouxe alguém exatamente assim: uma pessoa que acredita em mim, que não me deixa desistir, que faz de tudo para me ver sorrindo. Alguém que me deu tudo aquilo que eu ainda não sabia que queria ter. Alguém que sempre enxerga o lado bom, que acredita que tudo vai melhorar e que sempre tem uma palavra boa. Alguém que passa horas brincando com o Ziggy e que é amado pela minha família. Alguém honesto, íntegro, genuinamente bom, e que tem a capacidade de fazer com que tudo seja menos ruim em sua presença. Alguém que deu um significado totalmente novo ao que eu acreditava ser o amor. Ele tem razão quando diz que eu reclamo muito: eu deveria ser mais grata pela sorte de ser quem eu sou e de ter quem eu tenho. É tudo o que importa.

5 divagações:

Marcelo "Muta" Ramos disse...

aê amor, parabéns para você e saiba que eu também acho que dei muita sorte! :o)

ah, e lembre-se: tudo sempre ficará melhor, e é assim que temos que pensar, hehe.

beijos!!!

mãe disse...

Eu aprendi nesse um ano que filhos saem de casa, criam asas, constroem novas famílias mas continuam ocupando o mesmo espaço no coração da gente.
Amo vc. Seja feliz!

Mia disse...

linda demais!

(:

e a gt sempre tem coisas a fazer, a refletir ... e pra viver! e q seja sempre divertido! apesar das pauladas q a vida dá; existem pessoas maravilhosas q nos cercam e nos dão a mão, e o coração.

(:

Thé Gouveia disse...

Que lindo, Amandinha!
Adorei saber que você está ótima e feliz! E adorei as dicas! hehehhehe vou inclusive mostrar esse post seu pro meu namorado (que na verdade ainda não é namorado pq estou do outro lado do mundo! Mas explico melhor depois), pq ele discute comigo que quer que eu vá morar com ele antes de casarmos! E eu não quero!!
Quero conhecer sua casa! Vamos combinar quando eu voltar, tá?
Bjinho, saudade! =)
Thé

Amanda disse...

Obrigada, gentes! É mesmo muito bom quando a vida mostra que, apesar de todos os pesares, ela vale muito a pena. =)

Thé, convidadíssima! Só avisar quando estiver por essas bandas, viu? Beijos!