Quando vou presentear alguém, penso na pessoa, no que ela gosta, no tipo de vida que ela leva. Penso no que ela deixou de ter porque precisou de algo mais importante. Eu geralmente me empenho bastante em acertar, mas é preciso ter uma boa dose de imaginação para adequar as minhas vontades ao meu saldo bancário. Apesar disso, acho que normalmente eu dou conta.
Aí, está chegando o aniversário da minha mãe. O normal seria eu procurar algo que ela vá realmente adorar, algo que a faça sorrir após rasgar o papel. Algo que ela gostaria muito de ter, mas que não tem ainda porque ela nunca se coloca como uma prioridade na própria vida. Ela sempre pensa no que os outros querem, no que os outros precisam, e muitas vezes nem pensa nas suas vontades. Então, teoricamente, existem milhares de coisas que eu poderia comprar e deixá-la muito feliz.
Só que a minha imaginação anda rateando um pouco. Não sei se é porque eu ando muito cansada, ou se é porque esse ano, como sempre, já trouxe tantas novidades e emoções, mas eu não ando muito inspirada para presentear. Então fiz aquilo que eu sempre detestei: perguntei para a minha mãe o que ela queria ganhar. E olha, foi a maior perda de tempo, porque ela respondeu o de sempre: uma sapatilha marrom.
Não que a minha mãe seja a louca da sapatilha marrom. Pelo contrário; diferente de mim, ela não dá muita atenção para sapatos. Mas é incrível como ela sempre quer/precisa ganhar as mesmas coisas: uma sapatilha marrom ou preta, ou uma blusa "diferente". Às vezes ela também pede um perfume do Boticário. Eu entendo a lógica: ela praticamente só usa sapatilhas para trabalhar, e assim, elas se gastam rapidamente. Quase sempre compra blusas na Criatiff, então é normal que ela acabe querendo um modelo diferente. E ela também é bastante fiel aos perfumes que usa, então logo que um deles chega ao final, é preciso providenciar outro.
No fim das contas, perguntar ou não o que a minha mãe quer ganhar não muda muita coisa, porque eu já sei a resposta. E isso me faz pensar que, apesar de sermos diferentes em tantas coisas, nós somos bem parecidas de vez em quando. Eu também nunca sei o que responder quando me pedem para escolher meu presente (e a minha mãe me faz essa pergunta duas vezes por ano - no aniversário e no Natal), aí eu acabo dizendo que preciso de uma calça jeans. Eu tenho um monte de calças jeans, mas acho que "nunca é demais". E eu penso que, poxa, eu não deveria me preocupar com o que quero ganhar. Os outros é que precisam pensar no que querem me dar! Eu gosto de calça jeans, mas ficaria mais contente se abrisse os pacotes sem ter ideia do que tem dentro.
Então eu acho que foi muito bem-feito ter escutado da minha mãe que ela queria uma sapatilha marrom. Talvez eu até me renda e realmente compre a tal sapatilha, mas ainda assim, vou gastar um tempinho tentando inventar algo que ela ainda não saiba que quer ganhar. Mas quando ela rasgar o papel, vai sorrir e perceber na hora que aquilo ali só podia ser coisa da Amanda mesmo.
2 divagações:
Eu juro que foi sem querer...
so cute :)
Postar um comentário