Algumas coisas o tempo resolve, outras a gente apenas tem que aprender a conviver. Tem aquelas que a gente cura com remédio, e há as que não dá pra consertar porque a gente nem sabe ao certo do que se trata. Eu consigo reunir tudo, mas não sei categorizar - e muito menos solucionar.
Queria que houvesse um meio de eu me proteger do que está ao redor. Eu me sinto tão vulnerável, tão suscetível, tudo me atinge de uma forma tão direta e intensa. Machuca e cansa. Queria ter algum tipo de escudo protetor, ou pelo menos queria ser capaz de desenvolver um mecanismo eficiente de defesa. Não consigo. As palavras, as situações e as pessoas me arrebatam. Eu saio do eixo, não compreendo, verifico cada pequeno detalhe e sempre, sempre tento encontrar uma resposta. Ou a melhor saída.
Os meus dias são cada vez mais curtos. A cada momento eu acumulo uma nova tarefa, assumo uma outra responsabilidade. Eu vou me cercando de mais e mais gente, escuto, compreendo e interajo, e quando percebo, estou envolvida demais para sair ilesa.
Eu aprendi que fazer um bom trabalho não significa ser reconhecida. Aprendi que tentar ser uma pessoa boa não vai me livrar de ouvir palavras tortas. Aprendi que querer estar sempre presente não garante que eu tenha companhia quando precisar. Aprendi que eu sigo a receita e o biscoito queima, que eu leio diversas vezes e esqueço a história, que a saia sai passada do cabide e amassa na primeira estação de metrô, que meu cachorro vai vomitar ainda que ele só coma ração.
Eu aprendi que não tenho poder sobre nada, e mesmo que eu tivesse, de nada adiantaria; pouquíssimas coisas no mundo são passíveis de mudança. Eu aprendi que as pessoas não sabem ler entrelinhas, que elas não reconhecem os esforços alheios, que elas não se esforçam para serem gratas, que elas não prestam atenção a pequenos gestos. Eu aprendi que o meu lugar é dentro da minha própria vida.
Não sei o que fazer com esse aprendizado. Todo santo dia eu meto os pés pelas mãos. Sempre ouço algo que faz meu dia azedar, sempre vejo uma situação que me faz perder a vontade.
Agora o ano está terminando e eu percebo que atingi a minha meta de tantos anos. Eu consegui me transformar numa pessoa melhor. E eu não sei se fiz um bem negócio, porque nunca antes eu sofri tanto. Nunca tive tanta vontade de chorar, nunca senti meu coração tão espremido, nunca passei tantas noites sem dormir lutando contra o refluxo. Eu queria ter aprendido menos, porque antes eu era mais ignorante e muito mais feliz.
Meu desejo de ano novo é quase impossível. Eu queria aprender a "lei it be". Mas eu tenho medo que esse seja um caminho sem volta, e que cada pessoa nova me traga uma nova dor, que cada lugar novo me traga uma nova decepção e que cada desejo não realizado traga uma nova auto-decepção. E tenho muito medo de que 2012 seja mais um ano em que eu me culpe por todas as falhas do mundo. Acho que cheguei ao limite, e não existe omeprazol o bastante.
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