Tá certo que sou saudosista e cheia de mimimi, mas acho que não sou só eu que sente falta da internet de uns anos atrás. Antes do Facebook, do Orkut e desse aí do Google que eu nem quero saber do que se trata. Antes dessa exposição desnecessária e assustadora.
Pois é, eu tenho medo da internet. As pessoas dividem com o mundo aonde estão, o que almoçaram, qual a cor da camisa nova. Para quê?
O pior de tudo é que eu tenho uma ligeira mania de perseguição. Então, se alguém escreve "como tem gente que fala merda" ou "algumas pessoas me decepcionam", pronto: lá vou eu pensar no que foi que eu fiz para o infeliz. Os sujeitos indeterminados das orações online acabam com a minha saúde.
Se o Orkut era ruim porque alguém poderia ler seus recados, o Facebook é pior porque VÃO ler os seus recados. Os seus, os meus, os nossos. Está tudo ali na maldita timeline, rindo da minha cara e me obrigando a pensar que "jantar comigo o fulano não podia, mas sair pra tomar chopp com aquela outra pessoa pode, né?". Toda semana eu penso em sair dessa confusão. Tenho fé que ainda chegarei lá.
Esses sites de relacionamento minaram a minha relação de carinho com a internet. Durante muitos anos eu tive internet discada, ou seja: era sábado depois das 14h e domingo. Nas férias, dava para entrar durante a semana, depois da meia-noite.
E essa restrição toda me fez entrar em chats muito bacanas e conhecer pessoas tão especiais. Pessoas que eu encontrava nas mesmas salas de bate papo e reconhecia pelos nicknames que, para não serem confundidos, tinham cores específicas e eram seguidas por * ou -. Quando a pessoa era muito, muito, muito legal, ela ia parar no ICQ. E quando a amizade se mostrava possível também no mundo real, vinham os e-mails.
Eu só não tive total abstinência das cartas porque, felizmente, existiam os e-mails. Se existia alguma etiqueta de e-mail, eu certamente desconhecia e escrevia longas mensagens como se não houvesse amanhã. Cada "RE:" era um enorme deleite.
Os blogs também compunham um novo mundo muito especial. Aos poucos eu cheguei a páginas de pessoas que escreviam como eu, e de repente aquelas palavras desconhecidas passavam a fazer parte da minha vida. Às vezes eram palavras comoventes, outras vezes eram engraçadas, e na maioria delas eram apenas palavras que, de alguma forma, me tocavam. Também através dos blogs eu conheci pessoas muito especiais.
Daí veio a banda larga, os sites de relacionamento e o enfadonho MSN. Os e-mails foram totalmente banalizados e tornou-se comum ignorá-los. Vai a pamonha da Amanda escrever algo bom, de coração, e na maioria das vezes a resposta nunca vem. Blogs? A maioria dos que eu acompanhava não existe mais. Blog agora é negócio; os textos são pasteurizados e às vezes é até difícil encontrá-los em meio a tantas propagandas.
Acho que os blogs desconhecidos e intimistas, como este que vos fala, estão fadados ao extermínio. Ninguém quer saber o que você tem a falar; a graça é interpretar ao bel-prazer as besteiras do Facebook.
Como o caminho é sem volta, eu preciso reunir uma boa dose de coragem pra me afastar desse mundinho virtual. Saudosista que sou, prefiro uma reprise de Friends às fotos da amiga da minha prima bêbada na balada de quinta-feira.
3 divagações:
Sim, a internet virou algo chato... Caindo também naquela ladainha saudosista, saudade do tempo em que a internet era mais "difícil" e então o que vinha dela era mais legal.
Mas acho que cabe a nós mantermos os limites e fazer/acompanhar ao máximo as coisas que são importantes e deixar as demais sem dar tanta importância...
Talvez seja isso, antes era mais fácil filtrar o que valia a pena...
Ah, outro ponto importante é que parece que as redes sociais na verdade afastam as pessoas... Hj é mais fácil apenas ver uma atualização de status do facebook do que ligar para a pessoa e saber como ela está... Mas daí a pessoa pode não estar tão bem - afinal ela pode estar postando apenas as coisas positivas - e aquele telefonema que podia ajudar muito a pessoa nunca acontece...
É, temos que cuidar melhor de muitas coisas nesse mundo internético em que vivemos...
Oi, Amanda,
Faz tempo não comento, mas continuo lendo.
"Se o Orkut era ruim porque alguém poderia ler seus recados, o Facebook é pior porque VÃO ler os seus recados." Nossa, disse tudo. As pessoas falam mal hoje do Orkut, mas o Face deixa sua vida ainda mais escancarada. Eu tenho poucas pessoas no Face, quis filtrar bastante e só add mesmo quem conheço de fato, isso inclui primos de outras cidades com quem é mais fácil entrar em contato por ali.
Eu adoro e-mails, acho que pq sempre gostei de escrever, mas está cada vez mais difícil pessoas que ainda respondem e escrevem. A maioria é adepta do MSN (que nunca gostei) ou das redes sociais.
E é tudo tão fútil e superficial, que ainda me pergunto o que estou fazendo ali. Sem falar que tem gente que não sabe usar, e fica postando coisas de minuto em minuto.
Oi, Jussara, que bom te ver por aqui novamente! =)
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