Eu sempre fui um tanto fora dos padrões. Desde pequena. Aprendi a ler muito cedo e não parei até hoje. Percebi que havia algo muito errado em rir dos coleguinhas por algum motivo constrangedor muito antes de inventarem o tal do bullying e, talvez por esse motivo, sempre me senti próxima daqueles que não eram uma unanimidade.
Eu sempre fui uma ótima aluna e, naquela época, ser nerd não era pejorativo e nem motivo de orgulho. Usei óculos desde os 8 anos de idade e fui magrela como um espeto. Percebi que o mundo era um lugar engraçado em que as garotas curvilíneas e/ou de olhos claros eram mais especiais. Não vou mentir: no início, foi ruim não ser considerada bonita. Mas, novamente, não vou mentir: foi só no início mesmo.
Enquanto as meninas da minha idade estavam ficando nas festinhas, eu estava em casa vendo Arquivo X na Record. Enquanto os meninos e meninas começaram a tomar cerveja, eu ia ao cinema todas as semanas, religiosamente. Nunca fui popular, embora também nunca tenha tido problemas para me relacionar com quem quer que fosse.
Não namorei os meninos mais bonitos. Não ouvi as músicas mais pop. Não vesti as marcas da moda. Não fiz viagem de formatura. Não fiz luzes no cabelo. E nunca pensei que quem fizesse quaisquer dessas coisas pudesse ser melhor ou pior do que eu. Provavelmente fui (e sou) alvo de todo tipo de comentário, mas sempre tomei bastante cuidado com as minhas palavras e pensamentos.
Eu abandonei uma faculdade pública, passei em concurso e não compareci, cortei o cabelo no queixo e pintei de vermelho. Fui a primeira das minhas amigas a me casar. Aprendi a usar salto e maquiagem e a comprar bons sapatos.
E quer saber, eu não pretendo chegar a lugar nenhum com esse texto. Quando comecei a escrevê-lo, só pensei mesmo em atestar as diferenças. Não importa se você tem olhos verdes, frequenta os bares da moda e namora o cara mais popular de todos. Também não faz diferença se você se veste como o Joey Ramone e só tem três amigos. Você vai sobreviver de qualquer forma. A vida não será mais bela de uma forma ou de outra.
Não se ache especial por ser bonita ou por ser a diferentona. No fim das contas, não faz a menor diferença - e o sono tranquilo ou a insônia da incerteza nunca escolhem os travesseiros.
2 divagações:
Ah Amanda...para mim vc é e sempre foi linda. É a filha mais companheira que eu poderia querer. Eu tenho orgulho do seu caráter, da sua inteligência e da sua honestidade. E principalmente da sua coragem na hora de tomar decisões. Amo vc!!!
"Não se ache especial por ser bonita ou por ser a diferentona. No fim das contas, não faz a menor diferença - e o sono tranquilo ou a insônia da incerteza nunca escolhem os travesseiros". Genial!
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